Guia ilustrado
de graffiti
e quadrinhos



os caçadores
as pinturas rupestres do paleolítico


cosmogênese dos signos
a história mítica da origem dos signos

o caminho da escrita
dos mitogramas do paleolítico ao alfabeto

mesopotamia
o surgimento das cidades e a invenção da escrita

o egito
a escrita hieroglífica

roma e pompéia
nobres romanos exerciam o direito de reproduzir a própria imagem e a de seus antepassados

comix
história em quadrinhos (HQ), arte que une imagens em seqüência

grafite e graffiti

etimologia do termo graffiti

graffiti e contestação
graffiti dos anos 60 a 80

memórias escritas
da cidade inscrita

o graffiti na literatura

risco de giz na parede da rua memória
como Brassaï e Levitt,
o fotógrafo John Guthman registrou
os grafites urbanos
Proposta de uma viagem pelos quadrinhos e graffiti
O Guia Ilustrado d graffiti e quadrinhos propõe, através de 4 ensaios, um passeio pelos quadrinhos e graffiti modernos, passando pelos seus antecedentes que remontam à pré-história, e por suas diferentes manifestações até atingirem a forma atual, mostrando que essas linguagens podem ser vistas em vários momentos e em diferentes civilizações de maneiras diversas até adquirirem a configuração contemporânea.
 
Memória em duas dimensões

Os grafites e as histórias em quadrinhos são duas linguagens da era moderna: a palavra graffiti é empregada para indicar as inscrições com spray e látex no espaço urbano, enquanto o termo quadrinhos é associado à produção e à publicação de narrativas visuais. Ligadas principalmente ao universo dos jovens, estas linguagens combinam texto e imagem num único suporte, utilizando técnicas e conceitos enraizados na própria história da humanidade.
Desde 30-40.000 anos atrás, na pré-história, o homem realiza pinturas e incisões em grutas e rochedos. Os arqueólogos chamam estas imagens de mitogramas: manifestações gráficas cujo sentido não está sujeito a uma leitura linear, mas sim à "condensação e justaposição de contextos", como o desenho e a escrita, "que na lógica dual e analítica usualmente diferenciamos" 1. Essas inscrições não constituem propriamente uma narrativa ilustrada, assim como entendemos hoje esse termo, mas já combinam signos e figuras num único contexto. Os primeiros expressam conceitos abstratos, enquanto os outros buscam uma representação da realidade.
Nos rituais dos povos caçadores, esses traçados e grafismos precedem a invenção da escrita, acompanham a narração oral e a encenação dos mitos. Apesar de pertencer ao mundo sensível, o desenho não é completamente real nem completamente etéreo, colocando-se portanto como uma janela sobre o mundo da imaginação. Ao projetar imagens sobre uma superfície plana, o ser humano exprime seu próprio universo interior. Tornando-se criador de formas, ele pode conhecer e enxergar a si mesmo.
Com a elaboração de símbolos, o homem consegue em seguida registrar seu pensamento de maneira mais inteligível. Devido à sua faculdade de comunicar informações complexas à distância e no tempo, estes signos contribuíram para a aglomeração dos seres humanos.
O que pretendemos fazer aqui é esboçar uma proto-história do graffiti e da história em quadrinhos, seguindo o rastro dos elementos que hoje caracterizam estas duas linguagens.

 
Mitograma, de uma pintura rupestre realizada há cerca de 6000 anos em Pedra Pintada, perto da Vila de Cocais, na Serrada Conceição (MG).
Na imagem, as silhuetas monocrômicas distinguem-se das figuras desenhadas apenas por uma linha de contorno. Uma série esquemática de pontos e traços complementa a composição, expressando conceitos abstratos.
Os desenhos pertencem à chamada ‘tradição planalto’, e constituem um dos muitos exemplos de arte rupestre do Brasil.

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